crítica

Um assombro de irmãs [Fantasmas]

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Fantasmas. Encenação, cenografia, texto e interpretação: André Murraças. Produção: Um Marido Ideal. Co-produção: FIMFA Lx – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas / A Tarumba. Apoios: Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Praga, Museu Nacional de História Natural e da Ciência Agradecimentos: Duarte Pereira Gomes, Cristina Correia, Bruno Reis, Cândida Murraças, Cristiana Couceiro. Técnica: Teatro de objectos e magia. Idioma: Português. Público-alvo: +12 Duração: 30 min. aprox.

12 de Maio, Sala Luís Miguel Cintra (Palco) – São Luiz Teatro Municipal

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

O primeiro espectáculo curto FIMFA de 2017 é uma sessão espírita cheia de anotações de humor. Somos convidados a participar numa sessão de comunicação com o além pela mão de André Murraças, autor e intérprete deste momento de contacto entre dois mundos.

Começando por uma extensiva apresentação de figuras incontornáveis do mundo do espectáculo que passaram pelo São Luiz Teatro Municipal, chegamos à invocação de Irma e Emma Gramatica, actrizes, cantoras e diseuses italianas, que lá se estrearam em 1927, e que, enquanto fantasmas, habitam esta casa de espectáculos. O objectivo deste apelo é fazer-lhes chegar a última mensagem do amante que partilhavam e cujo desaparecimento lhes causou tanto sofrimento e desconsolo.

Num ambiente em que a lenda e a superstição se encontram, contam-se histórias acerca deste teatro ao mesmo tempo que se desvendam alguns dos seus pequenos rituais e desventuras, como, por exemplo, o incêndio de 1914. Expondo e explorando a ideia de ilusão e de fantástico, o autor-intérprete diz-nos que os espíritos das irmãs são vistos com frequência no São Luiz, habitando o espaço que partilham generosamente com os vivos que, tal como elas, continuam a subir ao palco.

Com grande simplicidade e recurso a técnicas de ilusionismo, mais do que de manipulação convencional de objectos, invocam-se os fantasmas das belas e arrebatadoras Irma e Emma Gramatica para lhes fazer chegar a mensagem do seu enamorado desaparecido. Assim, a história das artistas é contada através dos seus objectos (roupas, sapatos, caixas de jóias e fotografias autografadas), que se movem e transformam perante o espanto dos espectadores.

Embora apresente algumas fragilidades de execução e elocução, André Murraças convoca a magia para brincar com as peripécias do mundo do espectáculo e da vida amorosa das duas irmãs e do seu apaixonado pianista que, na impossibilidade de escolher uma das duas, terá cortado a própria mão. Ao conseguir estabelecer o contacto com as artistas, concretiza-se um momento de apaziguamento entre os amantes, entre a vida e a morte e entre os fantasmas e os vivos, que, ao mesmo tempo, coloca em evidência este interessante recurso ao mundo dos espectros como mecanismo de exposição dos próprios artifícios da ficção e da ilusão teatrais.

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