crítica

The House of the Rising Sun [Phobos ou os órfãos de amor]

PHOBOS 2 foto

Phobos ou os órfãos do amor, de Diogo Tavares. Co-criação: Alexandre Tavares e Sylvie Rocha. Interpretação: Diogo Tavares, Guilherme Barroso, Isabel Guerreiro, Lídia Muñoz e Maria Curado Ribeiro. Música original: Manuel Rubio. Design Gráfico: Tiago Silva. Exposição Fotográfica: Fernando Lopes. Vídeo Instalação Timeless: Sofia Marques Ferreira. Apoio à produção: Daniela Cardoso e Henrique Costa e Santos.

 

Quartel de Santa Bárbara, 6 de maio de 2018

A parceria entre Alexandre Tavares e Sylvie Rocha na exploração de um cruzamento de linguagens cénicas resulta numa proposta arriscada em Phobos. Apesar de, imediatamente, nos remeter para uma situação de medo (fobia, do grego phobos), o texto de Diogo Tavares é, felizmente, permeável a várias leituras. Essa condição permite que os encenadores instalem a sua imagética sem prejuízo da leitura e das sensações de cada espectador.

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crítica

Não existe no inferno fúria igual à de uma mulher desprezada [Medeia]

20180221_©MarianaSilva_MEDEIA_0027.jpeg © Mariana Silva

 

Medeia, de Francisco Luís Parreira. Direção e Espaço Cénico: João Garcia Miguel; Música: Mário Laginha; Interpretação: David Pereira Bastos e Sara Ribeiro; Desenho de Luz: João Garcia Miguel; Figurinos: Rute Osório de Castro; Assistência de Encenação: Rita Costa.

Teatro Ibérico, 22 de fevereiro de 2018

 

Na continuação da revisitação dos textos clássicos, permeando-os à atualidade e transpondo-os para uma performatividade adequada aos tempos em que o ritmo alucinante da cidade insiste em remeter os cidadãos para um espaço de falsa privacidade e conforto – o lar –, João Garcia Miguel apresenta o seu olhar sobre Medeia, a partir de uma versão textual de Francisco Luís Parreira. É uma forma de manter viva a memória de um teatro que questiona e reflete a condição humana em todas as suas frentes de ação. É também uma forma de nos lembrar que não nos devemos esquecer que o teatro tem uma origem milenar tal como aquele por quem e para quem é feito: O Homem.

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crítica

A brisa deixa a sua marca e o hábito faz o monge [Sopro]

Sopro©Filipe Ferreira
Isabel Abreu, Cristina Vidal, Sofia Dias, Beatriz Brás, Vítor Roriz e João Pedro Vaz © Filipe Ferreira

 

Sopro de Tiago Rodrigues; Encenação: Tiago Rodrigues; Com: Beatriz Brás, Cristina Vidal, Isabel Abreu, João Pedro Vaz, Sofia Dias e Vítor Roriz; Cenografia e Desenho de Luz: Thomas Walgrave; Figurinos: Aldina Jesus; Sonoplastia: Pedro Costa; Assistência de Encenação: Catarina Rôlo Salgueiro

Teatro Nacional D. Maria II, 2 de novembro de 2017

 

Não é habitual a Arte debruçar-se sobre os seus procedimentos. Essa tarefa cabe, regra geral, aos investigadores e estudiosos. É certo que, no que diz respeito ao teatro, há muito que nos habituámos a ver espetáculos ou a ler textos onde este se revela um pouco. Desde William Shakespeare, que coloca nos discursos de Hamlet questões sobre o trabalho do ator, até Pirandello que, ora coloca as personagens à procura de um autor, ora coloca os atores a improvisarem, passando por Molière que apresenta um improviso com pré-forma. No entanto, mesmo esses casos de metateatro não se debruçam sobre categorias profissionais que não as dos atores, encenadores e dramaturgos. Pelo menos desconheço que exista qualquer outro texto/espetáculo que fale do cenário ou do ponto.

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