crítica

O magnífico cabaret tragicómico de Madame La Mort [Tria Fata]

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Tria Fata, Cie La Pendue (França). Intérpretes: Estelle Charlier e Martin Kaspar Läuchli. Direcção artística: Estelle Charlier. Encenação: Romuald Collinet. Colaboração na encenação: Pavlina Vimmrova. Música: Martin Kaspar Läuchli. Texto e olhar exterior: Romaric Sangars. Desenho de luz e direcção técnica: Anthony Lopez. Marionetas e cenografia: Estelle Charlier e Romuald Collinet. Técnico: Anthony Lopez / Andi Luchsinger. Fotografias: Estelle Charlier e Tomáš Vimmr. Produção: Théâtre de l’Homme Ridicule. Co-produção: Le Tricycle Grenoble. Apoios: Conseil Général de l’Isère, SPEDIDAM, Ville de Winterthur Suisse, Théâtre du Temple de Saillans, La BatYsse, Espace Culturel La Buire à L’Horme, Ateliers de Couture et de Construction de la Ville de Grenoble. Técnica: Manipulação à vista, marionetas de fios, de luva e sombras. Idioma: Francês, com legendagem em português. Público-alvo: +9 Duração: 50 min. Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, Institut Français em Paris.

São Luiz Teatro Municipal (Sala Mário Viegas), 26 de Maio

FIMFA ‘17 – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

 

A Cie La Pendue, criada em 2003, por Estelle Charlier e Romald Collinet, divide as suas produções entre uma vertente mais tradicional – inspirada pela figura de Polichinelle, com recurso à técnica da manipulação de marionetas de luva –, e uma outra, de cariz contemporâneo e mais experimental, em que misturam várias técnicas de manipulação, categoria na qual se insere o espectáculo apresentado no FIMFA ’17. Esta companhia francesa tem como missão a defesa da marioneta como símbolo universal da condição humana, abordando o lado mais negro da existência de maneira a levar o espectador a debruçar-se sobre temáticas duras e complexas e a reflectir sobre o que significa ser humano. É exactamente isto que a manipuladora e actriz Estelle Charlier e o multi-instrumentista Martin Kaspar Läuchli proporcionaram ao público de Tria Fata, um espectáculo que trata a morte com humor e sensibilidade.

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crítica

Pessoa visto de fora [Los cinco entierros de Pessoa]

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Los cinco entierros de Pessoa, de Juan Carlos Moyano. Direcção: Juan Carlos Moyano. Elenco: Mario Hernán Miranda Portilla, Carlos David Rosero Montenegro, Clara Inés Ariza Monedero, Estefanía Torres Ruge, Stephany Rugelis Charry, Yuly Esperanza Rosero Morales. Composição musical: David Díaz. Desenho de luzes: Giovanny López. Técnico de som: Jonathan Martínez Peña. Desenho de guarda-roupa e máscaras: Carlos Rojas. Direcção artística: Juan Sebastian Moyano (Sol Baltazar). Elaboração de guarda-roupa: Jacqueline Rojas Cardozo. Co-produção: Lendias d’Encantar, Teatro D’Dos (Cuba). Teatro Tierra, Colômbia.

Teatro Pax Júlia (Sala Principal), Beja, 16 de Março de 2017

FITA ’17 – Festival Internacional de Teatro do Alentejo (4ª Edição)

 

Apresentado como um “drama de heterónimos e fantasmas”, da autoria de Juan Carlos Moyano, Os cinco enterros de Pessoa inicia-se com uma suposta crise de delirium tremens que Pessoa terá sofrido na última visita que fez à sua meia-irmã, Henriqueta Madalena, pouco antes de morrer. É, portanto, num quadro de delírio antes da morte que se assiste à revisitação fragmentada de momentos-chave da sua biografia, ao seu encontro com os fantasmas da avó Dionísia, da tia Anica e de sua mãe, bem como a uma série de diálogos entre Pessoa ortónimo e heterónimos e a momentos concretos da história de Portugal que, juntamente com uma breve incursão pelo sebastianismo e ocultismo, tentam caracterizar, ainda que de forma um pouco superficial, o complexo universo pessoano. Este espectáculo, inspirado pelo poema Los cinco entierros de Pessoa de Juan Manuel Roca, pretende ser uma porta de entrada para a obra e vida do poeta, recorrendo a um desfilar de personagens – Pessoa, Reis, Caeiro, Campos, Bernardo Soares, Alexander Search, Ofélia, entre outros…– que culmina no enterro múltiplo e conjunto de Fernando Pessoa e seus heterónimos.

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As três irmãs [The House by the Lake]

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The House by the Lake. Texto e encenação: Yael Rasooly, Yaara Goldring. Co-autoria: Edna Blilious, Rinat Sterenberg. Interpretação: Maya Kindler, Michal Vaknin, Yael Rasooly. Cenografia e figurinos: Maureen Freedman. Concepção de marionetas e objectos: Maayan Resnick, assistida por Noa Abend. Compositor e autor das letras: Nadav Wiesel. Desenho de som: Binya Reches. Desenho de Luz: Asi Gottesman. Assistente de encenação: Michal Vaknin. Consultoria artística: Yael Inbar. Fotografias: Nir Shaanani. Produção: Hazira Performance Art Arena (Israel). Apoio à apresentação: Embaixada de Israel em Portugal. Técnica: Marionetas e objectos. Idioma: Inglês. Público-alvo: +12. Duração: 60 min.

 

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

Palco da sala principal, São Luiz Teatro Municipal

21 de Maio de 2016

 

O palco do São Luíz Teatro Municipal acolheu, nos dias 20 e 21 de Maio de 2016, a criação israelita The House by the Lake – de Yael Rasooly e Yaara Goldring – estreada em Setembro de 2010, no Acco Festival of Alternative Israeli Theater, que o premiou nas categorias de melhor cenografia, figurinos, luz e construção de marionetas e adereços. Foi com este espectáculo, uma promessa (cumprida) de grande qualidade técnica que o Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas encerrou a sua 16. ª edição. The House by the Lake explora a delicada questão do holocausto, e da sua repercussão na vida de inúmeras crianças judias, através da história de três pequenas irmãs cuja infância foi interrompida pelo terror do terceiro reich e da sua tentativa de salvação levada a cabo pela mãe que as esconde no sótão da casa de família.

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A dessacralização de um clássico [Otelo]

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Otelo, o Mouro de Veneza. Adaptação e Direcção: Jaime Lorca, Teresita Iacobelli e Christian Ortega. Intérpretes: Nicole Espinoza e Jaime Lorca. Assessoria Artística: Eduardo Jiménez. Música Original: Juan Salinas. Figurinos: Loreto monsalve. Desenho de Luz: Tito Velásquez. Sonoplastia: Gonzalo Aylwin. Fotografia: Rafael Arenas-Sandra Zea. Cartaz: Hugo Covarrubias. Produção: Viajeinmóvil.

Teatro Pax Julia – Sala-estúdio, Beja, 11 de Março de 2016

 3ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo

O penúltimo espectáculo apresentado em Beja, foi trazido do Chile pela companhia Viajeinmóvil. Esta versão de Othello reduz o drama ao núcleo de manipulação, intriga, ciúme e morte que gravita em torno das únicas cinco personagens que sobreviveram ao trabalho de adaptação levado a cabo por Jaime Lorca, Teresita Iacobelli e Christian Ortega (Cássio, Iago, Emília, Desdémona e Otelo). Esta obra, apresentada em Portugal pela primeira vez na temporada de 2014 do TNDMII, em parceria com o Programa Gulbenkian Próximo Futuro, foi o grande espectáculo da terceira edição do Festival Internacional de Teatro do Alentejo.

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Retrato de um povo ameaçado [Jacinto y Nicolasa]

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Jacinto y Nicolasa. Autoria: Camila Villegas. Interpretação: Olivia Lagunas, Bernardo Velasco. Encenação: Alberto Lomnitz. Produção: Teatro de Babel – Dramafest.

Teatro Pax Julia – Sala-estúdio, Beja, 5 de Março de 2016

3ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo

 

   Somos producto de 500 años de luchas: primero contra la esclavitud, en la guerra de Independencia contra España encabezada por los insurgentes, después por evitar ser absorbidos por el expansionismo norteamericano, luego por promulgar nuestra Constitución y expulsar al Imperio Francés de nuestro suelo, después la dictadura porfirista nos negó la aplicación justa de leyes de Reforma y el pueblo se rebeló formando sus propios líderes, surgieron Villa y Zapata, hombres pobres como nosotros a los que se nos ha negado la preparación más elemental para así poder utilizarnos como carne de cañón y saquear las riquezas de nuestra patria sin importarles que estemos muriendo de hambre y enfermedades curables, sin inmortales que no tengamos nada, absolutamente nada, ni un techo digno, ni tierra, ni trabajo, ni salud, ni alimentación, ni educación, sin tener derecho a elegir libre y democráticamente a nuestras autoridades, sin independencia de los extranjeros, sin paz ni justicia para nosotros y nuestros hijos.

Comandancia General del EZLN
Año de 1993

A companhia mexicana Teatro de Babel apresentou, na sala estúdio do Pax Julia, um espectáculo essencialmente narrativo, da autoria de Camila Villegas, assente no cruzamento de duas histórias apresentadas em simultâneo, que decorrem em lugares distintos da Serra de Tarahumara, no estado de Chihuahua, México: “As segundas-feiras de Jacinto” e “O sonho de Nicolasa”. Os protagonistas destas duas histórias são Rarámuri, povo nativo daquela região, que partilham as suas incursões kafkianas pelo sistema judicial mexicano e a luta pela sobrevivência da sua comunidade, ameaçada pelo narcotráfico, a pobreza e a marginalização.

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Elegia [Talvez eu me despeça]

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Talvez eu me despeça. Concepção: Beatriz França, Ludmilla Ramalho. Direcção: Ludmilla Ramalho. Atriz/performer: Beatriz França. Dramaturgia: Daniel Toledo. Pesquisa dramatúrgica: Beatriz França, Daniel Toledo. Instalação cenográfica: Ana Luísa Santos. Figurino: Ana Luísa Santos. Composição de imagens electrónicas: Carlosmagno Rodrigues. Iluminação: Leonardo Pavanello. Trilha sonora: Patrícia Bizzotto e Barulhista. Direcção de movimento: Christina Fornaciari. Preparação corporal: Christina Fornaciari, Guilherme Morais. Preparação vocal: Amanda Prates. Professor de arte marcial chinesa: Thiago Borges. Coordenação: Nando Motta, Ludmilla Ramalho. Produção: Beatriz França, Ludmilla Ramalho, Nando Motta. Realização: Cia Afeta.

Teatro Pax Julia – Sala Principal, Beja, 3 de Março de 2016

3ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo

No segundo dia do Festival Internacional de Teatro do Alentejo [FITA], o palco da Sala Principal do Pax Julia acolheu a Cia Afeta, oriunda de Belo Horizonte, no Brasil, com o espectáculo Talvez eu me despeça. Esta criação de Beatriz França e Ludmilla Ramalho, foi estreada na temporada de 2014 da Funarte MG [Minas Gerais], no Galpão 3, e integrou o projecto “Ocupação 3.0 – De Lá pra Cá”, fruto de uma parceria da Cia. Drástica de Artes Cênicas com UMA Companhia.

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A importância de ser Kristin [Fräulein Julie / Menina Júlia];

Fräulein Julie. Autor: August Strindberg. Encenação: Katie Mitchell e Leo Warner. Intérpretes: Cathlen Gawlich, Jule Böwe, Luise Wolfram, Tilman Strauß. Operação de câmaras: Andreas Hartmann, Krzysztof Honowski. Sons ao vivo: Laura Sundermann, Lisa Guth. Violoncelo: Gabriella Strümpel. Dramaturgia: Maja Zade. Cenário e figurinos: Alex Eales. Desenho de luz: Philip Gladwell. Desenho de som: Adrienne Quartly, Gareth Fry. Música: Paul Clark.

32.º Festival de Almada, 13 de Julho de 2015

Teatro Municipal Joaquim Benite – Sala principal

(Espectáculo em alemão, legendado em português)

Katie Mitchell e Leo Warner co-dirigiram, com a chancela da Schaubühne, um espectáculo marcado pela experimentação contemporânea e hibridismo formal, em que se cruzam teatro e cinema em tempo real. Esta versão de Miss Julie (1888), de August Strindberg, foi criada por Mitchell e Maja Zade, com base em apenas 20% do texto original e na poesia de Inger Christensen, uma poeta dinamarquesa contemporânea, cuja obra é marcada (também) pelo experimentalismo da forma e por questões de género.

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