crítica

Não há flores em Istambul [No hay flores en Estambul]

29633362_1175377532600696_1054765432_o© Rui Eugénio

No hay flores en Estambul, de Iván Solarich. Encenação: Mariano Solarich. Dramaturgia: Iván Solarich, Mariano Solarich. Interpretação: Iván Solarich. Cenografia: Agustín Romero. Figurinos: Lucía Acevedo. Iluminação: Agustín Romero. Selecção musical: Mariano Solarich. Teatro El Mura, Uruguai.

Teatro Pax Júlia (Sala Estúdio), Beja, 17 Março 2018

FITA ‘18 – Festival Internacional de Teatro do Alentejo (5ª Edição)

Estreado em Havana, em 2017, No hay flores en Estambul é um monólogo que se integra na habitual estética de “auto-ficção” da companhia uruguaia, uma espécie de docufiction sob a forma de teatro. É um espectáculo de linguagem híbrida, que cruza cinema, teatro e narrativa, e que parte de uma experiência pessoal: o impacto que a estreia do filme de Alan Parker, Midnight Express (1978), teve em Iván Solarich quando este ainda era estudante de teatro em Montevideo. Essas memórias pessoais articulam-se com a narrativa do filme, com o impacto internacional que este teve na imagem da Turquia e com o tratamento que o argumentista da película, o jovem Oliver Stone, deu à obra de Billy Hayes, na qual o filme se baseia.

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crítica

“Como porcos esfomeados, anseiam pelo ouro.” [La Zanja]

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La Zanja, de Diego Lorca e Pako Merino. Encenação: Diego Lorca, Pako Merino; Interpretação: Diego Lorca, Pako Merino; Desenho de som: Jonatan Bernabeu; Composição Musical: Jonatan Bernabeu; Desenho de Iluminação: Albert Anglada, Diego Lorca; Desenho de Cenografia: Titzina; Construção cenográfica: Núria Espinach, Escenograes Castells; Figurinos: Núria Espinach; Produção: Titzina. Titzina, Espanha.

Teatro Pax Júlia (Sala Estúdio), Beja, 17 Março 2018

FITA ‘18 – Festival Internacional de Teatro do Alentejo (5ª Edição)

 

    Los cristianos, con sus caballos y espadas y lanzas comienzan a hacer matanzas y crueldades extrañas en ellos. Entraban en los pueblos ni dejaban niños, ni viejos ni mujeres preñadas ni paridas que no desbarrigaban y hacían pedazos, como si dieran en unos corderos metidos en sus apriscos. Hacían apuestas sobre quién de una cuchillada abría el hombre por medio o le cortaba la cabeza de un piquete o le descubría las entrañas. Tomaban las criaturas de las tetas de las madres por las piernas y daban de cabeza con ellas en las peñas.

Bartolomé de Las Casas

 

Em Portugal (ou no Brasil), “zanja” pode significar trincheira, sarjeta, valeta ou fossa. No Peru, por exemplo, pode ser encarada como referência a uma das 17 operações da empresa peruana de extracção de minério Buenaventura – a primeira empresa latino-americana do sector com cotação na bolsa de valores de Nova Iorque –, mais precisamente à subsidiária que explora, desde 2010, uma mina de ouro e prata a céu aberto, em Santa Cruz, Cajamarca, no norte do país, e que, apesar do código de ética e preocupações ambientais apregoados pela empresa-mãe, tem levado a cabo a destruição de floresta para viabilizar as suas operações e a descarga de resíduos tóxicos no meio-ambiente. La Zanja pode ser, também uma criação da companhia de teatro catalã Titzina, estreada em 2017 e construída com base em pesquisa documental desenvolvida a partir das crónicas que relatam a colonização espanhola da América Latina e de recolha documental no terreno (Peru). Diego Lorca e Pako Merino são os responsáveis pela dramaturgia, encenação e interpretação deste espectáculo.

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Lost in Translation [Hole]

Hole

Hole, Theatrical Company ENSEMBLE [Korea]. Director: Kim Jinman. Cast: Kim Hyobae, Lee Dongjun. Lighting Director: Lee Youngmin. Sound Operator: Jo Jeongmin. Translator and Subtitle Operator: Hwang Gun.

5th November 2017

Ground Floor, Maharashtra Cultural Centre, Pune

2º IAPAR (International Association for Performance Arts and Research Theatre) Festival

 

Premiered in the context of the political crisis that lead to the impeachment of South Korea’s President, Park Geon-Hye, in 2016, Hole aims to be a metaphor to raise awareness when it comes to corruption and misconduct on the part of any government, even though it was specifically created for the South Korean reality. Two performers act out a very simple plot in which a construction worker and a specialist are confronted with the sudden appearance of a sinkhole in a public space and each of them faces the problem quite differently: the worker wants to cover up the hole and get things over with as fast as possible – not caring for the fact that it might be a temporary fix – while the specialist, vehemently against the worker’s stance, fights for the need to maintain the hole open so that he can conduct an investigation to expose and remove its origins.

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crítica

O magnífico cabaret tragicómico de Madame La Mort [Tria Fata]

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Tria Fata, Cie La Pendue (França). Intérpretes: Estelle Charlier e Martin Kaspar Läuchli. Direcção artística: Estelle Charlier. Encenação: Romuald Collinet. Colaboração na encenação: Pavlina Vimmrova. Música: Martin Kaspar Läuchli. Texto e olhar exterior: Romaric Sangars. Desenho de luz e direcção técnica: Anthony Lopez. Marionetas e cenografia: Estelle Charlier e Romuald Collinet. Técnico: Anthony Lopez / Andi Luchsinger. Fotografias: Estelle Charlier e Tomáš Vimmr. Produção: Théâtre de l’Homme Ridicule. Co-produção: Le Tricycle Grenoble. Apoios: Conseil Général de l’Isère, SPEDIDAM, Ville de Winterthur Suisse, Théâtre du Temple de Saillans, La BatYsse, Espace Culturel La Buire à L’Horme, Ateliers de Couture et de Construction de la Ville de Grenoble. Técnica: Manipulação à vista, marionetas de fios, de luva e sombras. Idioma: Francês, com legendagem em português. Público-alvo: +9 Duração: 50 min. Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, Institut Français em Paris.

São Luiz Teatro Municipal (Sala Mário Viegas), 26 de Maio

FIMFA ‘17 – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

 

A Cie La Pendue, criada em 2003, por Estelle Charlier e Romald Collinet, divide as suas produções entre uma vertente mais tradicional – inspirada pela figura de Polichinelle, com recurso à técnica da manipulação de marionetas de luva –, e uma outra, de cariz contemporâneo e mais experimental, em que misturam várias técnicas de manipulação, categoria na qual se insere o espectáculo apresentado no FIMFA ’17. Esta companhia francesa tem como missão a defesa da marioneta como símbolo universal da condição humana, abordando o lado mais negro da existência de maneira a levar o espectador a debruçar-se sobre temáticas duras e complexas e a reflectir sobre o que significa ser humano. É exactamente isto que a manipuladora e actriz Estelle Charlier e o multi-instrumentista Martin Kaspar Läuchli proporcionaram ao público de Tria Fata, um espectáculo que trata a morte com humor e sensibilidade.

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Pessoa visto de fora [Los cinco entierros de Pessoa]

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Los cinco entierros de Pessoa, de Juan Carlos Moyano. Direcção: Juan Carlos Moyano. Elenco: Mario Hernán Miranda Portilla, Carlos David Rosero Montenegro, Clara Inés Ariza Monedero, Estefanía Torres Ruge, Stephany Rugelis Charry, Yuly Esperanza Rosero Morales. Composição musical: David Díaz. Desenho de luzes: Giovanny López. Técnico de som: Jonathan Martínez Peña. Desenho de guarda-roupa e máscaras: Carlos Rojas. Direcção artística: Juan Sebastian Moyano (Sol Baltazar). Elaboração de guarda-roupa: Jacqueline Rojas Cardozo. Co-produção: Lendias d’Encantar, Teatro D’Dos (Cuba). Teatro Tierra, Colômbia.

Teatro Pax Júlia (Sala Principal), Beja, 16 de Março de 2017

FITA ’17 – Festival Internacional de Teatro do Alentejo (4ª Edição)

 

Apresentado como um “drama de heterónimos e fantasmas”, da autoria de Juan Carlos Moyano, Os cinco enterros de Pessoa inicia-se com uma suposta crise de delirium tremens que Pessoa terá sofrido na última visita que fez à sua meia-irmã, Henriqueta Madalena, pouco antes de morrer. É, portanto, num quadro de delírio antes da morte que se assiste à revisitação fragmentada de momentos-chave da sua biografia, ao seu encontro com os fantasmas da avó Dionísia, da tia Anica e de sua mãe, bem como a uma série de diálogos entre Pessoa ortónimo e heterónimos e a momentos concretos da história de Portugal que, juntamente com uma breve incursão pelo sebastianismo e ocultismo, tentam caracterizar, ainda que de forma um pouco superficial, o complexo universo pessoano. Este espectáculo, inspirado pelo poema Los cinco entierros de Pessoa de Juan Manuel Roca, pretende ser uma porta de entrada para a obra e vida do poeta, recorrendo a um desfilar de personagens – Pessoa, Reis, Caeiro, Campos, Bernardo Soares, Alexander Search, Ofélia, entre outros…– que culmina no enterro múltiplo e conjunto de Fernando Pessoa e seus heterónimos.

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As três irmãs [The House by the Lake]

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The House by the Lake. Texto e encenação: Yael Rasooly, Yaara Goldring. Co-autoria: Edna Blilious, Rinat Sterenberg. Interpretação: Maya Kindler, Michal Vaknin, Yael Rasooly. Cenografia e figurinos: Maureen Freedman. Concepção de marionetas e objectos: Maayan Resnick, assistida por Noa Abend. Compositor e autor das letras: Nadav Wiesel. Desenho de som: Binya Reches. Desenho de Luz: Asi Gottesman. Assistente de encenação: Michal Vaknin. Consultoria artística: Yael Inbar. Fotografias: Nir Shaanani. Produção: Hazira Performance Art Arena (Israel). Apoio à apresentação: Embaixada de Israel em Portugal. Técnica: Marionetas e objectos. Idioma: Inglês. Público-alvo: +12. Duração: 60 min.

 

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

Palco da sala principal, São Luiz Teatro Municipal

21 de Maio de 2016

 

O palco do São Luíz Teatro Municipal acolheu, nos dias 20 e 21 de Maio de 2016, a criação israelita The House by the Lake – de Yael Rasooly e Yaara Goldring – estreada em Setembro de 2010, no Acco Festival of Alternative Israeli Theater, que o premiou nas categorias de melhor cenografia, figurinos, luz e construção de marionetas e adereços. Foi com este espectáculo, uma promessa (cumprida) de grande qualidade técnica que o Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas encerrou a sua 16. ª edição. The House by the Lake explora a delicada questão do holocausto, e da sua repercussão na vida de inúmeras crianças judias, através da história de três pequenas irmãs cuja infância foi interrompida pelo terror do terceiro reich e da sua tentativa de salvação levada a cabo pela mãe que as esconde no sótão da casa de família.

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A dessacralização de um clássico [Otelo]

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Otelo, o Mouro de Veneza. Adaptação e Direcção: Jaime Lorca, Teresita Iacobelli e Christian Ortega. Intérpretes: Nicole Espinoza e Jaime Lorca. Assessoria Artística: Eduardo Jiménez. Música Original: Juan Salinas. Figurinos: Loreto monsalve. Desenho de Luz: Tito Velásquez. Sonoplastia: Gonzalo Aylwin. Fotografia: Rafael Arenas-Sandra Zea. Cartaz: Hugo Covarrubias. Produção: Viajeinmóvil.

Teatro Pax Julia – Sala-estúdio, Beja, 11 de Março de 2016

 3ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo

O penúltimo espectáculo apresentado em Beja, foi trazido do Chile pela companhia Viajeinmóvil. Esta versão de Othello reduz o drama ao núcleo de manipulação, intriga, ciúme e morte que gravita em torno das únicas cinco personagens que sobreviveram ao trabalho de adaptação levado a cabo por Jaime Lorca, Teresita Iacobelli e Christian Ortega (Cássio, Iago, Emília, Desdémona e Otelo). Esta obra, apresentada em Portugal pela primeira vez na temporada de 2014 do TNDMII, em parceria com o Programa Gulbenkian Próximo Futuro, foi o grande espectáculo da terceira edição do Festival Internacional de Teatro do Alentejo.

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