crítica

Retrato de um povo ameaçado [Jacinto y Nicolasa]

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Jacinto y Nicolasa. Autoria: Camila Villegas. Interpretação: Olivia Lagunas, Bernardo Velasco. Encenação: Alberto Lomnitz. Produção: Teatro de Babel – Dramafest.

Teatro Pax Julia – Sala-estúdio, Beja, 5 de Março de 2016

3ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo

 

   Somos producto de 500 años de luchas: primero contra la esclavitud, en la guerra de Independencia contra España encabezada por los insurgentes, después por evitar ser absorbidos por el expansionismo norteamericano, luego por promulgar nuestra Constitución y expulsar al Imperio Francés de nuestro suelo, después la dictadura porfirista nos negó la aplicación justa de leyes de Reforma y el pueblo se rebeló formando sus propios líderes, surgieron Villa y Zapata, hombres pobres como nosotros a los que se nos ha negado la preparación más elemental para así poder utilizarnos como carne de cañón y saquear las riquezas de nuestra patria sin importarles que estemos muriendo de hambre y enfermedades curables, sin inmortales que no tengamos nada, absolutamente nada, ni un techo digno, ni tierra, ni trabajo, ni salud, ni alimentación, ni educación, sin tener derecho a elegir libre y democráticamente a nuestras autoridades, sin independencia de los extranjeros, sin paz ni justicia para nosotros y nuestros hijos.

Comandancia General del EZLN
Año de 1993

A companhia mexicana Teatro de Babel apresentou, na sala estúdio do Pax Julia, um espectáculo essencialmente narrativo, da autoria de Camila Villegas, assente no cruzamento de duas histórias apresentadas em simultâneo, que decorrem em lugares distintos da Serra de Tarahumara, no estado de Chihuahua, México: “As segundas-feiras de Jacinto” e “O sonho de Nicolasa”. Os protagonistas destas duas histórias são Rarámuri, povo nativo daquela região, que partilham as suas incursões kafkianas pelo sistema judicial mexicano e a luta pela sobrevivência da sua comunidade, ameaçada pelo narcotráfico, a pobreza e a marginalização.

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crítica

Elegia [Talvez eu me despeça]

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Talvez eu me despeça. Concepção: Beatriz França, Ludmilla Ramalho. Direcção: Ludmilla Ramalho. Atriz/performer: Beatriz França. Dramaturgia: Daniel Toledo. Pesquisa dramatúrgica: Beatriz França, Daniel Toledo. Instalação cenográfica: Ana Luísa Santos. Figurino: Ana Luísa Santos. Composição de imagens electrónicas: Carlosmagno Rodrigues. Iluminação: Leonardo Pavanello. Trilha sonora: Patrícia Bizzotto e Barulhista. Direcção de movimento: Christina Fornaciari. Preparação corporal: Christina Fornaciari, Guilherme Morais. Preparação vocal: Amanda Prates. Professor de arte marcial chinesa: Thiago Borges. Coordenação: Nando Motta, Ludmilla Ramalho. Produção: Beatriz França, Ludmilla Ramalho, Nando Motta. Realização: Cia Afeta.

Teatro Pax Julia – Sala Principal, Beja, 3 de Março de 2016

3ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo

No segundo dia do Festival Internacional de Teatro do Alentejo [FITA], o palco da Sala Principal do Pax Julia acolheu a Cia Afeta, oriunda de Belo Horizonte, no Brasil, com o espectáculo Talvez eu me despeça. Esta criação de Beatriz França e Ludmilla Ramalho, foi estreada na temporada de 2014 da Funarte MG [Minas Gerais], no Galpão 3, e integrou o projecto “Ocupação 3.0 – De Lá pra Cá”, fruto de uma parceria da Cia. Drástica de Artes Cênicas com UMA Companhia.

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A importância de ser Kristin [Fräulein Julie / Menina Júlia];

Fräulein Julie. Autor: August Strindberg. Encenação: Katie Mitchell e Leo Warner. Intérpretes: Cathlen Gawlich, Jule Böwe, Luise Wolfram, Tilman Strauß. Operação de câmaras: Andreas Hartmann, Krzysztof Honowski. Sons ao vivo: Laura Sundermann, Lisa Guth. Violoncelo: Gabriella Strümpel. Dramaturgia: Maja Zade. Cenário e figurinos: Alex Eales. Desenho de luz: Philip Gladwell. Desenho de som: Adrienne Quartly, Gareth Fry. Música: Paul Clark.

32.º Festival de Almada, 13 de Julho de 2015

Teatro Municipal Joaquim Benite – Sala principal

(Espectáculo em alemão, legendado em português)

Katie Mitchell e Leo Warner co-dirigiram, com a chancela da Schaubühne, um espectáculo marcado pela experimentação contemporânea e hibridismo formal, em que se cruzam teatro e cinema em tempo real. Esta versão de Miss Julie (1888), de August Strindberg, foi criada por Mitchell e Maja Zade, com base em apenas 20% do texto original e na poesia de Inger Christensen, uma poeta dinamarquesa contemporânea, cuja obra é marcada (também) pelo experimentalismo da forma e por questões de género.

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“Finalmente Hamlet” [Hamlet]

Hamlet. Autor: William Shakespeare. Tradução: Sophia de Mello Breyner Andresen. Encenação: Luis Miguel Cintra. Intérpretes: Alberto Quaresma, Bernardo Souto, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Guilherme Gomes, Isac Graça, João Reixa, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luís Madureira, Luís Miguel Cintra, Marques D’Arede, Nídia Roque, Rita Cabaço, Sílvio Vieira, Teresa Gafeira, Tiago Matias. Assistência de Encenação: Rodrigo Francisco, Sofia Marques. Cenografia e Figurinos: Cristina Reis. Voz e Elocução: Luís Madureira. Luz: Cristina Reis, Guilherme Frazão, Luis Miguel Cintra, Rui Seabra. Co-produção: Teatro da Cornucópia, Companhia de Teatro de Almada.

32º Festival de Almada,  7 de Julho de 2015

Teatro Municipal Joaquim Benite – Sala Principal

Fruto de um desejo antigo de Luís Miguel Cintra, a Cornucópia – juntamente com a Companhia de Teatro de Almada – criou uma encenação pouco tradicional para a tradução de Hamlet feita por Sophia de Mello Breyner. Estreado no contexto do Festival de Almada, Hamlet voltará à cena, no Teatro do Bairro Alto, a partir de Setembro.

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Todo o anjo é terrível [Misterman]

 

 

Misterman. Autor: Enda Walsh. Tradução: Nuno Ventura Barbosa. Encenação, interpretação e versão cénica: Elmano Sancho. Assistência de encenação: Luciana Ribeiro. Cenografia e Figurinos: Rita Lopes Alves. Luz: Alexandre Coelho. Som: Pedro Costa. Apoio vocal: Natália de Matos. Vozes: Andreia Bento, António Simão, Filipa Duarte, João Meireles, Jorge Silva Melo, Luciana Ribeiro, Mirró Pereira, Mónica Lage, Nuno Miranda e Pedro Carraca. Design gráfico: Sílvia Franco Santos. Coprodução: Culturproject / Artistas Unidos.

 

Teatro da Politécnica, 17 de Junho de 2015.

 

Após a estreia em 2014, no Teatro da Comuna, o espectáculo Misterman, baseado no texto escrito em 1999 por Enda Walsh, chega agora ao Teatro da Politécnica. O espectáculo foi apresentado, já este ano, na 2ª edição do FITA (Festival Internacional de Teatro do Alentejo) e no Teatro Municipal Joaquim Benite. É Elmano Sancho – que se estreia como encenador com este projecto – quem dá corpo a Thomas Magill.

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“Do que um homem é capaz” [Um inimigo do povo]

 

Um inimigo do povo. Autor: Henrik Ibsen. Direcção artística: Tónan Quito. Versão cénica e interpretação: Filipa Matta, Isabel Abreu, João Pedro Vaz, Pedro Gil, Miguel Loureiro, Tónan Quito. Cenografia: F. Ribeiro. Desenho de luz: Daniel Worm. Figurinos: José António Tenente. Assistência de direcção: Simão Pamplona. Produção executiva: Stage One. Residências: O Espaço do Tempo, Teatro Viriato e Espaço Alkantara. Apoio às residências: Truta. Co-produção: Stage One, Teatro Viriato e São Luiz Teatro Municipal

São Luiz Teatro Municipal, 5 de Junho de 2015.

 

Os nossos dirigentes, não os consigo suportar… Já tive mais do que a dose suficiente para uma vida inteira. São como bodes soltos numa horta nova: fazem estragos em toda a parte. Impedem o caminho a um homem livre, para onde quer que ele queira avançar…

A versão de Um inimigo do povo a partir da qual este espectáculo se ergue é da responsabilidade do colectivo de actores que dá corpo a quase todas as personagens deste texto, criado por Ibsen em 1882. Digo quase todas, porque não encontraremos neste espectáculo os filhos mais novos do casal Stockmann, Eilif e Morten; Billing, colaborador d’O Mensageiro do Povo; o Capitão Horster e o velho ‘texugo’, Morten Kiil. Apesar da ausência destas personagens, não sentimos o vazio. A problemática do texto e a coerência narrativa do espectáculo resistem ao emagrecimento dos intervenientes no drama.

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