crítica

Sons para esculpir, manipular, escutar [Manipula#som]

 manipula-som_FIMP

Manipula#som. Direção artística: António Oliveira. Interpretação: António Oliveira. Dramaturgia e encenação: Julieta Rodrigues. Figurinos: Julieta Rodrigues. Cenografia: Nuno Guedes, Rui Azevedo. Desenho de luz: Pedro Teixeira. Sonoplastia e desenho de som: Tiago Ângelo, Tiago Ralha. Video: Ashleigh Georgiou. Vozes: António Oliveira. Direção e operação técnica: Tiago Ralha, Rui Azevedo. Fotografia: Teresa Couto, Luis Camanho. Coprodução: Centro Cultural de Belém, Fábrica das Artes, Teatro Municipal do Porto, Radar 360º Associação Cultural. Apoios: Instituto Politécnico do Porto, Circolando, Teatro de Ferro. Radar 360º Associação Cultural.

14 de Outubro de 2017, Teatro Campo Alegre – Café-Teatro 

FIMP’17 – Festival Internacional de Marionetas do Porto

 

O silêncio só existe em contraste com o barulho. Se não há barulho a contrastar, é ele próprio barulhento. E então apetece o ruído para ele ser menos ruidoso.

Vergílio Ferreira

Quando Jonh Cage criou o “Prepared Piano” transformado em instrumento de percussão com moedas, parafusos, borrachas e pedaços de madeira prosseguia o caminho iniciado por Luigi Russolo teorizado na Arte dos ruídos, multiplicando as possibilidades sonoras do instrumento com matérias e objetos do quotidiano. Conta-se que na altura não tinha dinheiro para reproduzir uma orquestra de percussão e que essa foi a primeira motivação para “Prepared piano”.

Manipula#som da companhia Radar 360° foi o primeiro espetáculo alinhado no FIMP’17, num ano em que o mote do Festival consiste em explorar as relações entre marionetas e música. A ligação entre a manipulação de objetos e a musicalidade, já tinha sido explorada pela companhia noutros espetáculos, como no projeto Banda Móvel. Presença assídua no FIMP e vencedora da primeira edição da bolsa Isabel Alves Costa, em 2015, a Radar 360° Associação Cultural assume-se desde o final dos anos noventa com um caráter multidisciplinar, articulando nos seus projetos criativos diferentes estímulos provenientes sobretudo do circo, do teatro físico, do teatro de objetos e formas animadas, mas também da música e das artes visuais.

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crítica

Os cavalos também se abatem [A vertigem dos animais antes do abate]

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© Jorge Gonçalves

A vertigem dos animais antes do abate de Dimítris Dimitriádis; Encenação: Jorge Silva Melo; Tradução: José António Costa Ideias; Com: João Meireles, Inês Pereira, Américo Silva, Vânia Rodrigues, André Loubet, Pedro Baptista, Pedro Carraca, João Pedro Mamede e Nuno Gonçalo Rodrigues; Cenografia e Figurinos: Rita Lopes Alves; Luz: Pedro Domingos: Assistência de Encenação: Nuno Gonçalo Rodrigues e Isabel Muñoz Cardoso.

Teatro da Politécnica, 13 de setembro de 2017

 

Numa época em que o crime organizado, a violência crua e gratuita, os padrões da sexualidade alterados e o consumismo invadem o nosso quotidiano, cabe, também, ao teatro revisitar e desenvolver categorias dramatúrgicas que os mais incautos poderiam considerar mortas.

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Memoria y espectáculo, ética y representación [FITEI 2017: Campo Minado, Lola Arias; Filhos do Retorno, Joana Craveiro/Teatro do Vestido; Daniel Faria, Pablo Fidalgo Lareo; E-nxada, Erva Daninha]

 

Óscar Cornago (CSIC, Madrid)

El teatro, básicamente, es un mecanismo para hacer presente un pasado: una persona que se sitúa en un espacio delante de un grupo de gente para hablar en nombre de otro u otros; incluso si habla en nombre propio no deja de traer un pasado a cuestas. La escena, dispositivo temporal por definición, se hace más teatral a medida que deja de sentir el pasado que arrastra. Pero el problema de la escena, como de la historia o del pasado, no es lo que ya ocurrió, sino lo que está ocurriendo; o lo que ya ocurrió, pero en relación a lo que está ocurriendo ahora. La escena inaugura un momento presente, un umbral de inestabilidad que se abre como un interrogante frente a lo que ya sucedió o lo que podría suceder. El espacio de trabajo, tanto del teatro como de la historia, tiene que ver con la construcción de este presente, que sin embargo es el lado menos visible, y por ello también el más frágil. Cuando pensamos en el pasado a menudo se habla de la necesidad de recuperarlo, traerlo al presente, conservarlo, actualizarlo, y no tanto de la situación presente en relación a la cual se le trata de dar un sentido. El problema, sin embargo, no está en lo que ya pasó, sino en lo que está pasando. La recuperación de la historia se ha convertido en una suerte de religión laica o deporte cultural, en una actividad que ostenta un valor simbólico en sí mismo, más allá de cualquier otra pregunta. El prestigio cultural del teatro como una actividad positiva en sí misma, más allá de la forma o la situación a la que dé lugar, se explica por su capacidad de conservar el pasado. Esto le da al teatro una dimensión patrimonial que queda fuera de cualquier cuestionamiento. Este capital simbólico aumenta cuando ese pasado remite a algún tipo de situación traumática. La historia se hace más necesaria allí donde se abrieron fisuras, y estas fisuras se identifican más fácilmente cuando guardan relación con episodios explícitos de violencia. Dicho de otro modo, cuando hay muertos se hace más necesaria la historia, y también el teatro, que opera con lo que ya no está.

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Sentir a terra a mexer [Celui qui tombe]

Yoann Bourgeois FIMFA Lx17_0176©Géraldine Aresteanu

Celui qui tombe. Yoann Bourgeois, CCN2 – Centre Choréographique National de Grenoble. Concepção, encenação e cenografia: Yoann Bourgeois. Assistido por: Marie Fonte. Intérpretes: Mathieu Bleton, Julien Cramillet, Marie Fonte, Dimitri Jourde, Elise Legros, Vania Vaneau. Luz: Adèle Grépinet. Som: Antoine Garry. Figurinos: Ginette. Construção cenográfica: Nicolas Picot, Pierre Robelin, Cénic Constructions. Director técnico: David Hanse. Direcção de cena: Alexis Rostain. Operação de luz: Magali Larché. Operação de som: Benoît Marchand. Fotografias: Géraldine Aresteanu. Produção delegada: CCN2 – Centre Chorégraphique National de Grenoble – Direcção Yoann Bourgeois e Rachid Ouramdane. Co-produções: Cie Yoann Bourgeois, MC2: Grenoble, Biennale de la danse de Lyon, Théâtre de la Ville, Paris, Maison de la Culture de Bourges, L’hippodrome, Scène Nationale de Douai, Le Manège de Reims, Scène Nationale, Le Parvis, Scène Nationale de Tarbes Pyrénées, Théâtre du Vellein, La brèche, Pôle national des arts du cirque de Basse-Normandie / Cherbourg-Octeville, Théâtre National de Bretagne-Rennes. Residência de criação: MC2: Grenoble, La Brèche – Pôle national des arts du cirque de Basse-Normandie/Cherbourg-Octeville. Especialista de projecto e construção: Ateliers de la Maison de la Culture de Bourges, Cenic Constructions, C3 Sud Est.. Apoios: ADAMI, SPEDIDAM, PETZL .Apoio à criação: DGCA. Yoann Bourgeois tem o apoio da Fondation BNP Paribas para o desenvolvimento dos seus projectos e está em residência territorial em Capi-Théâtre du Vellein. O CCN2 é financiado por Drac Auvergne – Rhône-Alpes/Ministère de la Culture et de la Communication, Ville de Grenoble, Département de l’Isère, Région Auvergne-Rhône-Alpes e é apoiado pelo Institut français. Co-apresentação: Teatro Municipal do Porto – Rivoli. Campo Alegre e São Luiz Teatro Municipal. Técnica: Novo circo. Idioma: Sem palavras. Público-alvo: +8. Duração: 65 min. Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, em parceria com o Institut Français em Paris, no âmbito do foco sobre a criação contemporânea francesa em 2017.

21 de Maio de 2017, São Luiz Teatro Municipal – Sala Luís Miguel Cintra

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e formas Animadas

Cair é uma das primeiras aprendizagens do ser humano no momento da aquisição da marcha, etapa de conquista da verticalidade e controlo do equilíbrio. Embora associado à ideia de aprendizagem, o verbo cair surge sobretudo como sinónimo de fracasso ou acidente. Na Bíblia, a Queda significa a transição de um estado de inocência e obediência para um estado de culpa e irreverência. Yoann Bourgeois é um artista de circo, habituado a gerir o equilíbrio e a vertigem que se interessou pela queda, desenvolvendo desde 2010, trabalhos de criação a propósito da noção de “ponto de suspensão”, iniciados com os espetáculos L’art de la fugue (2011) e Jeunes pousses (2012) aos quais se seguiu um conjunto de quatro peças curtas sob o título Tentatives d’approches d’un point de suspension.

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Um assombro de irmãs [Fantasmas]

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Fantasmas. Encenação, cenografia, texto e interpretação: André Murraças. Produção: Um Marido Ideal. Co-produção: FIMFA Lx – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas / A Tarumba. Apoios: Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Praga, Museu Nacional de História Natural e da Ciência Agradecimentos: Duarte Pereira Gomes, Cristina Correia, Bruno Reis, Cândida Murraças, Cristiana Couceiro. Técnica: Teatro de objectos e magia. Idioma: Português. Público-alvo: +12 Duração: 30 min. aprox.

12 de Maio, Sala Luís Miguel Cintra (Palco) – São Luiz Teatro Municipal

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

O primeiro espectáculo curto FIMFA de 2017 é uma sessão espírita cheia de anotações de humor. Somos convidados a participar numa sessão de comunicação com o além pela mão de André Murraças, autor e intérprete deste momento de contacto entre dois mundos.

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O magnífico cabaret tragicómico de Madame La Mort [Tria Fata]

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Tria Fata, Cie La Pendue (França). Intérpretes: Estelle Charlier e Martin Kaspar Läuchli. Direcção artística: Estelle Charlier. Encenação: Romuald Collinet. Colaboração na encenação: Pavlina Vimmrova. Música: Martin Kaspar Läuchli. Texto e olhar exterior: Romaric Sangars. Desenho de luz e direcção técnica: Anthony Lopez. Marionetas e cenografia: Estelle Charlier e Romuald Collinet. Técnico: Anthony Lopez / Andi Luchsinger. Fotografias: Estelle Charlier e Tomáš Vimmr. Produção: Théâtre de l’Homme Ridicule. Co-produção: Le Tricycle Grenoble. Apoios: Conseil Général de l’Isère, SPEDIDAM, Ville de Winterthur Suisse, Théâtre du Temple de Saillans, La BatYsse, Espace Culturel La Buire à L’Horme, Ateliers de Couture et de Construction de la Ville de Grenoble. Técnica: Manipulação à vista, marionetas de fios, de luva e sombras. Idioma: Francês, com legendagem em português. Público-alvo: +9 Duração: 50 min. Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, Institut Français em Paris.

São Luiz Teatro Municipal (Sala Mário Viegas), 26 de Maio

FIMFA ‘17 – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

 

A Cie La Pendue, criada em 2003, por Estelle Charlier e Romald Collinet, divide as suas produções entre uma vertente mais tradicional – inspirada pela figura de Polichinelle, com recurso à técnica da manipulação de marionetas de luva –, e uma outra, de cariz contemporâneo e mais experimental, em que misturam várias técnicas de manipulação, categoria na qual se insere o espectáculo apresentado no FIMFA ’17. Esta companhia francesa tem como missão a defesa da marioneta como símbolo universal da condição humana, abordando o lado mais negro da existência de maneira a levar o espectador a debruçar-se sobre temáticas duras e complexas e a reflectir sobre o que significa ser humano. É exactamente isto que a manipuladora e actriz Estelle Charlier e o multi-instrumentista Martin Kaspar Läuchli proporcionaram ao público de Tria Fata, um espectáculo que trata a morte com humor e sensibilidade.

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A escrita no invisível [Como um carrossel]

Como um carrossel

Como um carrossel. Encenação e cenografia: Isabel Barros. Texto: João Paulo Seara Cardoso. Marionetas e animação: João Apolinário e Francisco Magalhães. Música: Carlos Guedes Desenho de luz: Filipe Azevedo. Adaptação para língua gestual portuguesa: Joana Cottin. Interpretação: Micaela Soares e Vítor Gomes. Produção: Sofia Carvalho. Design gráfico e assistência de produção: Pedro Ramos. Operação de luz e som: Filipe Azevedo. Técnicos de construção: João Pedro Trindade e Rosário Matos. Confeção de figurinos: Cláudia Ribeiro e Marlene Rodrigues. Cabeleireira Cristina Soares. Fotografias: Susana Neves. Co-produção: Teatro Municipal de Matosinhos-Constantino Nery. Estrutura Financiada por: República Portuguesa – Ministério da Cultura / DGArtes.

Teatro Taborda, 25 de maio de 2017

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

A companhia Teatro de Marionetas do Porto trouxe ao FIMFA um espetáculo infantil que ilustra a metáfora de que “a vida é como um carrossel à volta do sol”. O espetáculo que agora nos apresentam é uma nova versão sobre uma criação anterior de João Paulo Seara Cardoso intitulada Como um carrossel à volta do sol, apresentada em 2006. Algumas das alterações trazidas são a introdução de momentos em linguagem gestual portuguesa, a mudança de género da personagem principal e a reescrita do texto.

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