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Cinzas e demónios [Cendres]

Cinzas

Cendres. Inspirado no romance Before I Burn, de Gaute Heivoll. Encenação: Yngvild Aspeli. Concepção: Yngvild Aspeli, em colaboração com Pierre Tual e Amador Artiga. Actores-manipuladores: Viktor Lukawski, Alice Chéné, Andreu Martinez Costa. Colaboração na encenação: Paola Rizza. Aconselhamento dramatúrgico: Pauline Thimonnier. Marionetas: Polina Borisova, Sebastian Puech, Yngvild Aspeli, Carole Allemand, Sophie Coëffic. Cenografia: Charlotte Maurel, Gunhild Mathea Olaussen. Figurinos: Sylvia Denais. Universo sonoro: Guro Moe Skumsnes, Ane-Marthe Sørlie Holen. Vídeo: David Lejard-Ruffet. Luz e direcção técnica: Xavier Lescat. Olhar exterior: Philippe Genty, Mary Underwood. Direcção de produção: Claire Costa. Fotografias: Claire Leroux, Fanchon BilBille, Kristin Aafløy Opdan. Co-produção: Cie Philippe Genty (França), Figurteatret i Nordland (Noruega) Apoios: MCNN – Centre de Création et de Production (França), Le Mouffetard – Théâtre des arts de la marionette a Paris (França), Théâtre du fil de l’eau, Pantin; Théâtre de la Girandole, Montreuil; La Nef Manufacture d’utopies, Pantin; Direction des Affaires Culturelles – DRAC Bourgogne (França); Nord Trondelag Teater; Norsk Kulturrad; Norlands Fylkeskommune; Fritt Ord; Fond For Lyd og Bilde, FFUK (Noruega). Técnica: Teatro visual, marionetas e vídeo. Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, em parceria com o Institut Français em Paris, no âmbito do foco sobre a criação contemporânea francesa em 2017.

Teatro Maria Matos, 20 de maio de 2017

FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

O espetáculo Cendres (Cinzas), da companhia franco-norueguesa Plexus Polaire, dirigido pela encenadora Yngvild Aspeli, é uma sucessão de imagens fortes, bonitas, delicadas e assustadoras que se apresentam em diferentes níveis e suportes: o de um escritor, representado por um ator, que cria a narrativa, e um outro em que a história de Dag, que, em 1978, pegou fogo à aldeia de Finsland, na Noruega, é contada através de marionetas.

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Movidos pelo vento [L’Après-Midi d’un Foehn – version 1]

Phia Ménard-Cie Non Nova 2©Jean-Luc Beaujault

L’Après-Midi d’un Foehn – version 1, Phia Ménard – Cie Non Nova. Direcção artística, coreografia e cenografia: Phia Ménard Assistida por: Jean-Luc Beaujault Interpretação: Jean-Louis Ouvrard Composição sonora: Ivan Roussel, a partir da obra de Claude Debussy Direcção Técnica: Olivier Gicquiaud Concepção de marionetas: Phia Ménard, com construção de Claire Rigaud Operação de som: Mateo Provost Co-directora, administração e difusão: Claire Massonnet Produção: Clarisse MérotComunicação: Adrien Poulard Fotografias: Jean-Luc Beaujault Apoios: Institut Français, Fondation BNP Paribas. A Compagnie Non Nova é convencionada pelo Ministère de la Culture et de la Communication – DRAC des Pays de la Loire, Conseil Régional des Pays de la Loire, Conseil Général de Loire-Atlantique, Ville de Nantes. A companhia está sediada em Nantes. A Compagnie Non Nova / Phia Ménard é artista associada ao Espace Malraux / Scène Nationale de Chambéry et de la Savoie, ao Théâtre Nouvelle Génération – Centre Dramatique National de Lyon e ao Centre chorégraphique national de Caen, Normandia Técnica: Manipulação de matérias Idioma: Sem palavras Público-Alvo: +5 Duração: 25 min. Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, em parceria com o Institut Français em Paris, no âmbito do foco sobre a criação contemporânea francesa em 2017

São Luiz Teatro Municipal – Sala Mário Viegas, 21 de Maio

FIMFA ’17 – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

 

O sopro do vento era ardente como se a casa estivesse no meio de um braseiro. Está amanhecendo e o sol está longe, tem brisa na campina, cascata, orvalho gelado deslizando na corola, chuva fina no meu cabelo, a montanha e o vento, todos os ventos soprando. Os ventos.

Lygia Fagundes Telles

O vento Föhn é um fenómeno que ocorre quando o vento passa por uma região montanhosa em alturas de condensação e precipitação no topo da montanha. O vento eleva-se absorvendo o vapor da água, descendo a encosta da montanha mais seco e mais quente. L’après-midi d’un Foehn apresenta-nos um ballet de sacos de plástico inspirado nas diferentes versões de L’après-midi d’un Faune, a primeira em poema por Mallarmé com ilustrações de Manet, que motivou uma escultura de Gauguin oferecida ao poeta, o prelúdio de Debussy e o bailado de Nijinsky com o mesmo título. No espetáculo de Phia Ménard o fauno é substituído pelo vento Föhn, sendo o primeiro trabalho que a artista nomeou na trilogia “Peças do vento”, um projeto de criação sobre elementos primordiais e os seus modos de transformação da matéria. O vento sucede a um conjunto de espetáculos dedicados ao gelo, seguindo-se posteriormente o ciclo de “Peças da água e do vapor”. Nesta trilogia do vento, as matérias passam a ganhar vida através do elemento mais associado à nossa condição vital: o ar, o sopro, a respiração.

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Visões de dentro do muro [The Adventures of White-Man]

Paul Zaloom_Adventures of a White Man (4)

The Adventures of White-Man. Texto, concepção e intérprete: Paul Zaloom. Texto, dramaturgia, construção de marionetas e cenografia: Lynn Jeffries. Encenação e textos adicionais: Randee Trabitz. Técnico de vídeo: Darryl Yong. Construção do dispositivo cénico: Sandy Adams. Fotografias: Johanna Austin. Apoios: National Performance Network (NPN) Creation Fund Project co-comissionado por Flynn Performing Arts Center, Burlington, Vermont, em parceria com Dance Place in Washington, D.C.; Center for Puppetry Arts, Atlanta, Georgia; e NPN. Creation Fund é apoiado por Doris Duke Charitable Foundation, Ford Foundation e National Endowment for the Arts; Jim Henson Foundation. Agradecimentos: Lynn Jeffries, Randee Trabitz, Bread and Puppet Theater, Jim Henson Foundation, Grand Performances, National Performance Network, National Endowment for the Arts, Arnie Molina do Flynn Center em Burlington, Sandy Adams, Darryl Yong e Amanda Zaloom. Técnica: Teatro de objectos. Idioma: Inglês, com legendagem em português. Público-Alvo: +14. Duração: 50 min.

20 de Maio de 2017, Sala-estúdio do Teatro Nacional D. Maria II

FIMFA’17 – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

Paul Zaloom é um marionetista, humorista, cineasta e performer muito conceituado, que ganhou vários prémios e importantes bolsas de apoio à criação nos Estados Unidos. A sua abordagem cómica e satírica da sociedade e política norte-americanas, a par com o seu invulgar talento, faz do seu nome uma garantia de um bom espectáculo, repleto de humor e inteligência acutilantes.

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Uma tenda, dois saltimbancos, algumas marionetas e um cão [Bêtes de Foire – Petit Théâtre de Gestes]

Bêtes de Foire FIMFA Lx17_4©Lionel Pesqué.jpg

Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, 13 de Maio

FIMFA 2017

Bêtes de Foire-Petit Théâtre de Gestes,  Petit Théâtre de Gestes. Concepção: Laurent Cabrol, Elsa De Witte Na pista: Laurent Cabrol, Elsa De Witte, Sokha Cenografia: Laurent Cabrol, Elsa De Witte, assistidos por Fred Sintomer Escultura das personagens: Steffie Bayer Construção das personagens: Ana Mano, Thierry Grand Criação musical: Mathias Imbert, Natacha Muet, Piéro Pépin, Eric Walspeck Desenho de som: Francis Lopez Desenho de luz: Hervé Dilé, Fabien Viviani Bancada: Fred Sintomer Agradecimentos: Antonin Bernier, Laurent Bonnard, To Quintas, Nino/Amalia/Mélinée Administração: Les Thérèses Fotografias: Lionel Pesqué, Philippe Laurençon, Vincent Muteau Produção: Bêtes de Foire – Petit Théâtre de Gestes / Association Z’Alegria Co-produção: Scène Nationale d’Albi, Derrière le Hublot, Capdenac Apoios: Drac Midi-Pyrénées, Conseil régional Midi-Pyrénées Técnica: Circo, teatro de objectos, dança e marionetas Idioma: Sem Palavras Público-Alvo: +8 Duração:60min. Em parceria com: Museu de Lisboa, Programação em Espaço Público e São Luiz Teatro Municipal Apoio à apresentação: Institut Français du Portugal, em parceria com o Institut Français em Paris, no âmbito do foco sobre a criação contemporânea francesa em 2017.

“Homem elástico, equilibristas do impossível, malabarista com três cabeças e quatro mãos” são alguns dos números excecionais anunciados à entrada da tenda de Bêtes de Foire, uma viagem em que recuamos aos circos tradicionais dos teatros de feira. Entramos nesse circo resgatado no tempo que acolhia os que pela sua desmesura e excentricidade não cabiam noutro lugar, o mesmo circo de banidos que atraiu Fellini em La strada. A arena onde se exibiam os excêntricos, figuras deformadas, capazes de proezas, rompendo com as leis da anatomia, homens elásticos, corpos monstruosos, animais domesticados. Os incríveis, os extraordinários, os espantosos, os prodigiosos, os excecionais. Todos os que escapavam à realidade, ao banal, às normas; personagens das margens, capazes de causar o maior fascínio, espanto e estranheza.

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Matrioskas de papel a atarantar [Este não é o nariz de Gogol, mas podia ser…com um toque de Jacques Prévert]

gogol

Este não é o nariz de Gogol, mas podia ser…com um toque de Jacques Prévert, de A Tarumba – Teatro de Marionetas. Direcção artística, construção e actores-manipuladores: Luís Vieira e Rute Ribeiro Adaptação e textos: Rute Ribeiro Produção executiva: Daniela Matos Fotografias: Alípio Padilha Apoios e parcerias: Câmara Municipal de Lisboa, EGEAC Estrutura Financiada por: República Portuguesa – Ministério da Cultura / DGArtes Técnica: Figuras de papel e objectos Idioma: Português Público-alvo: +8 Duração: 40 min.

Livraria Ferin, 16 de Maio, 21h

FIMFA Lx 17

Se Tarumba significa atarantar é sobretudo pelo riso irreverente e libertador que nos ajuda a despertar e a reparar por onde andamos, guiados por uma panóplia de figuras onde o nonsense e o real se misturam. Misturar parece ser aliás a divisa desta criação da Tarumba, numa manta de retalhos que joga com as formas, combinando cabeças com troncos alheios e pernas que não pertenciam a esses corpos. Combinar matérias e pensar em novas maneiras de articular e representar o corpo faz parte do caminho das suas vidas de marionetistas. Desse gosto por cadavres exquis resultou uma colagem de Gogol com Jacques Prévert, entre outras personagens que se combinam e articulam umas com as outras, em figuras de papel que se vão transformando, revelando novas formas de representação, como matrioskas que se abrem para descobrir quem mais se esconde ali.

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Fora de cena, fora de foco. Divas, vedetas e tipos normais [TEATRO DELUSIO]

Teatro Delusio

TEATRO DELUSIO, de FAMILIE FLOZ. Concepção: Paco González, Björn Leese, Hajo Schüler, Michael Vogel Intérpretes: Sebastian Kautz, Daniel Matheus, Dana Schmidt Encenação e cenografia: Michael Vogel Máscaras: Hajo Schüler Figurinos: Eliseu R. Weide Desenho de som: Dirk Schröder Desenho de luz: Reinhard Hubert Direcção de Produção: Gianni Bettucci Técnicos de luz: Sylvain Faye, Max Rux Técnicos de som: Florian Mönks, Thomas Wacker Fotografias: Gabriele Zucca, Pierre Borrasci, Simona Boccedi, Valeria Tomasulo Co-produção: Familie Flöz, Arena Berlin, Theaterhaus Stuttgart Técnica: Máscaras e marionetas Idioma: Sem palavras Público-Alvo: +8 Duração: 80 min.

Teatro Maria Matos, 11 de Maio 21h30
Espectáculo de Abertura do FIMFA 2017

Un vieux Shylock attendant, tout grimé, dans la coulisse, le moment d’entrer en scène.
Proust

Je veux passer dans la coulisse, de l’autre côté du décor, connaître enfin ce qui se cache, cela fût-il affreux.
Gide

 

Os marionetistas trabalharam durante muito tempo na penumbra, dando protagonismo às matérias e corpos fictícios que animavam, recolhidos e encaixados em castelets. Os técnicos costumam também situar-se em lugares de penumbra, entre bastidores e zonas ocultas ao público. No espectáculo Teatro Delusio que inaugurou o FIMFA 2017, os bastidores são transladados para o palco e os técnicos ocupam a cena, estreando-se como protagonistas. A ideia surgiu durante uma tournée em Itália, num dia de folga para os actores da Familie Floz em que se surpreenderam a observar os técnicos a trabalhar. Mostrar em cena o que normalmente não se vê foi a primeira motivação para este trabalho.

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recensão

Confissões de um cenógrafo

José Manuel Castanheira, O Tempo das Cerejas (Manual de sobrevivência de um cenógrafo. II volume), Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2016, 290 pp.

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O teatro é uma arte viva, única e irrepetível que existe aqui e agora. Estas características fazem difícil o seu estudo e provocam, em muitas ocasiões, um conhecimento distorcido e incompleto da arte do teatro. No caso da cenografia encontramos maiores dificuldades: à sua natureza efémera há que acrescentar a escassa visibilidade que tradicionalmente tem a profissão do cenógrafo. É certo que nos últimos anos se está produzindo uma maior atenção por parte de teóricos e investigadores como adverte Maria Helena Serôdio:

A cenografia tem-se revelado, nestes últimos quinze anos pelo menos, como um campo artístico de crescente importância, sacralizando nomes (enquanto “autores”) e validando apreciações críticas em função do seu modo de existência, função e valor no espectáculo teatral (Serôdio,1993: 41).

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