crítica

“Como porcos esfomeados, anseiam pelo ouro.” [La Zanja]

la zanja

La Zanja, de Diego Lorca e Pako Merino. Encenação: Diego Lorca, Pako Merino; Interpretação: Diego Lorca, Pako Merino; Desenho de som: Jonatan Bernabeu; Composição Musical: Jonatan Bernabeu; Desenho de Iluminação: Albert Anglada, Diego Lorca; Desenho de Cenografia: Titzina; Construção cenográfica: Núria Espinach, Escenograes Castells; Figurinos: Núria Espinach; Produção: Titzina. Titzina, Espanha.

Teatro Pax Júlia (Sala Estúdio), Beja, 17 Março 2018

FITA ‘18 – Festival Internacional de Teatro do Alentejo (5ª Edição)

 

    Los cristianos, con sus caballos y espadas y lanzas comienzan a hacer matanzas y crueldades extrañas en ellos. Entraban en los pueblos ni dejaban niños, ni viejos ni mujeres preñadas ni paridas que no desbarrigaban y hacían pedazos, como si dieran en unos corderos metidos en sus apriscos. Hacían apuestas sobre quién de una cuchillada abría el hombre por medio o le cortaba la cabeza de un piquete o le descubría las entrañas. Tomaban las criaturas de las tetas de las madres por las piernas y daban de cabeza con ellas en las peñas.

Bartolomé de Las Casas

 

Em Portugal (ou no Brasil), “zanja” pode significar trincheira, sarjeta, valeta ou fossa. No Peru, por exemplo, pode ser encarada como referência a uma das 17 operações da empresa peruana de extracção de minério Buenaventura – a primeira empresa latino-americana do sector com cotação na bolsa de valores de Nova Iorque –, mais precisamente à subsidiária que explora, desde 2010, uma mina de ouro e prata a céu aberto, em Santa Cruz, Cajamarca, no norte do país, e que, apesar do código de ética e preocupações ambientais apregoados pela empresa-mãe, tem levado a cabo a destruição de floresta para viabilizar as suas operações e a descarga de resíduos tóxicos no meio-ambiente. La Zanja pode ser, também uma criação da companhia de teatro catalã Titzina, estreada em 2017 e construída com base em pesquisa documental desenvolvida a partir das crónicas que relatam a colonização espanhola da América Latina e de recolha documental no terreno (Peru). Diego Lorca e Pako Merino são os responsáveis pela dramaturgia, encenação e interpretação deste espectáculo.

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